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segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Pauling e as 3 hélices... por Blogger 

Ontem dei de caras com o “Quimica General” de Linus Pauling (8ª edição, 1965, Aguilar - em Castelhano) pertença de meu pai. Folheei as primeiras páginas e algo me deteve no fim do Prólogo do Autor à 2ª edição. Tratava-se disto:

Linus Pauling
Pasadena, Califórnia.
28 de Fevereiro de 1953

Ah!, mas que ano…
Pauling era já, por este ano, um monstro da química. Seria laureado com o prémio Nobel da Química no ano seguinte e com o prémio Nobel da Paz, 9 anos mais tarde em 1963. Mas, por agora, voltemos a esse mês de Fevereiro de 1953.
Na primeira semana do mesmo, um artigo (duas cópias do mesmo) atravessava o Atlântico direito a Cambridge. Dois jovens de nome James Watson e Francis Crick sentiram que os esforços dos últimos meses de trabalha acabariam em nada perante aquele artigo.

“… Francis e eu debruçávamo-nos sobre a cópia que Peter trouxera depois do almoço. A sua cara traía algo importante quando entrou e o meu estômago contraiu-se só de pensar que tudo estava perdido. Vendo que tanto eu como Francis já não aguentávamos mais o suspense, contou-nos rapidamente que o modelo consistia numa cadeia de três hélices com o esqueleto de açúcar-fosfato no centro. (…) Não dando tempo a Francis para perguntar pelo manuscrito, arranquei-o do bolso de fora do casaco de Peter e comecei logo a lê-lo.”

Quando Francis também ficou espantado com a química pouco ortodoxa de Pauling, comecei a respirar mais calmamente. Nessa altura soube que ainda não fôramos excluídos do jogo. Nenhum de nós todavia, fazia a menor ideia de quais os passo que tinham conduzido Linus a um tal disparate. Se um estudante tivesse cometido um erro semelhante, seria considerado indigno de beneficiar dos ensinamentos de qualquer professor de Química da Faculdade do Cal Tech.

O artigo também havia sido para a prestigiada revista Proceedings os the National Academy e seria, portanto, publicado em meados de Março.

Nessa altura seria apenas uma questão de dias até que o erro fosse descoberto. Tínhamos portanto cerca de 6 semanas antes que Linus voltasse a perseguir incansavelmente o ADN.” (…) “Depois, como a excitação das últimas horas tronara impossível trabalhar nesse dia, Francis e eu fomos até ao Eagle. Logo que abriu, estávamos lá caídos para brindar ao fracasso de Pauling.

Watson, J. 2003. A Dupla Hélice. Ed Gradiva.

(para continuar...)

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