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sábado, junho 12, 2004

Nova cápsula para a Bactéria e um pouco de Griffth. por Blogger 

Fred Griffth publicou em 1928 um artigo no Journal of Hygiene dando conta da seguinte experiência.
Trabalhando com ratos, animais extremamente susceptíveis à bactéria Streptococcus pneumoniae, verificou que quando eram injectados com a dita, estes morriam da infecção mas que o mesmo não se sucedia quando os animais eram injectados com um diferente tipo de bactéria, em tudo igual à primeira, diferindo apenas por não apresentar uma cápsula externa. As duas estirpes são conhecidas actualmente por S (de smooth, devido ao aspecto liso que a cápsula confere) e R (de rough, do aspecto rugoso na ausência da cápsula) sendo a diferença entre elas explicável pela simples mutação de um gene implicado na produção da cápsula e, por conseguinte, na virulência da bactéria que depende da presença desta.
O que Griffth de uma forma simples e genial fez pode ser resumido da seguinte forma:
- injectando (como acima referido) com bactérias do tipo S o animal morria mas, não era afectado se as bactérias fossem do tipo R.
- destruindo as bactérias de tipo S, por exemplo, por acção do calor, e injectando depois, o animal não morria.
- Mas, se as bactérias de tipo S fossem destruídas e, posteriormente, misturadas com bactérias não virulentas de tipo R, quando injectas no animal, adquiririam novamente a sua virulência original, provocando a morte ao rato.
O fenómeno é explicado pelo facto de, mesmo quando destruídas, o material genético do tipo S permanecia em solução e podia ser adquirido pelas bactérias não virulentas do tipo R, restaurando assim o gene mutado para a cápsula e, consequentemente conferindo-lhes virulência. O processo é actualmente designado de transformação e explicável pelas propriedades, agora muito bem conhecidas, do material genético. Em 1928 nada, absolutamente nada, era sabido sobre a essência do material genético. Apenas em 1944, Oswald T. Avery provou que, o matrial responsável pelo armazenamento e transmissão da informação genética era a monótona molécula de ácido desoxirribonucleico. Fred Griffth foi, , o primeiro geneticista, embora nunca o tenha sabido pois morreu três anos antes, a 17 de Abril de 1941, durante um bombardeamento Alemão sobre Londres.

Tudo isto para dizer que a Bactéria vai mudar de cápsula (para esta aqui) mas que, as duas cadeias da dupla hélice, 5’-hugo-3’ e 3’-oguh-5’ continuam emparelhadas. Segue-se portanto uma transformação! Quanto à virulência… enfim, não sabemos dizer se está para aumentar, se para diminuir mas, à luz dos novos conhecimentos, sabemos que o genoma é suficientemente flexível para abarcar as duas em simultâneo, ora expressando uma ou outra característica, em resposta aos desafios do ambiente.

Saving Private BacB por Hugo S. 

Está-se a desenvolver, de momento, um esforço de recuperação e transferência deste blog para outras paragens. Não há data de transferência prevista mas mais tarde ou mais cedo irá andar para a frente.

Para já é só aguardar e ir verificando as evoluções em: http://bacb.blogs.sapo.pt


sábado, março 13, 2004

Parabéns à Bactéria por Blogger 

Das longitudes de onde vos escrevo já não é sábado! Nestas latitudes os dias crescem muito rápido por esta altura. A mesma Terra e no entanto um comportamento celeste tão diferente. Ontem observei a lua e pareceu-me, sugestão ou não, que lhe via o movimento de tão rápido que era…

Por aí ainda é sábado. Sábado 13, dia de anos do Bactéria. Meio ano cumprido, com altos e baixos – que é como quem diz, com maior ou menor assiduidade. O prazer mantém-se…

Positivimo em 1914 por Blogger 

"É preciso não esquecer que todos os nossos provisórios conhecimentos psicológicos deverão um dia basear-se em substractos orgânicos. Afigura-se então lógico que existam substâncias e processos químicos específicos que produzam os efeitos da sexualidade e permitam a perpetuação da vida individual na da espécie."

S. Freud
Zur Einfuhrung der Narzissismus, 1914

Tervetuloa Suomeen por Blogger 

Antes de mais quero pedir desculpa àqueles que nos seguem com alguma regularidade. Estes últimos meses têm sido bem preenchidos e o Bactéria acabou por ficar um pouco esquecido.
Agora, em circunstâncias especiais, o Bactéria continuará. Deste momento e até Setembro, escreverei a partir de Helsínquia. Espero que esta experiência seja uma mais valia para mim, para aqueles que me rodeiam e, obviamente, para o Bactéria Blog e leitores.

Kiitos

sexta-feira, fevereiro 20, 2004

Activação Humana Dedo-to-Dedo por Blogger 

Antes de tudo queria saudar o novo visual do Henrique... cada vez mais “(e) Deus Tornou-se Visível”.

Devido a algo que assisti nestes últimos dias, olhei de forma diferente para “A criação de Adão” que actualmente encima o blog do Henrique.

Deus parece sobreposto num plano sagital-médio do cérebro humano. De facto, Miguel Angelo foi um estudioso de Anatomia e, tal observação, apesar de ter a sua quota parte de especulação, poderá não ser de todo o modo despropositada.

Mas, se assim for, que significado atribuir, a esta imagem?

Adão, aparece completamente formado, completamente humano em todas as dimensões que a imagem consegue captar. Todo orgânico! Que passará entre aqueles dedos? O conhecimento, a capacidade de cognição, o conhecimento de Si. Com certeza, o tocar em Deus, Aquele cuja imagem nos moldou...



Deus, sentado no órgão máximo, aquele que nos faz Homens, que nos faz homens entre os Homens, toca Adão... qual sopro de vida, qual chave na ignição.

quarta-feira, fevereiro 11, 2004

Ramón y Cajal por Blogger 

Logo, voltarei para um pouco de Ramon y Cajal. Um dos primeiros neuroanatomistas e um neuroanatomista de primeira. Poderei chamar ao post de logo, "Quando se vê para além daquilo que se vê". Até breve.

quinta-feira, fevereiro 05, 2004

A Irmandade da Hélice por Blogger 

Oswald Avery (1877-1955)

Microbiologist Avery led the team that showed that DNA is the unit of inheritance. One Nobel laureate has called the discovery "the historical platform of modern DNA research", and his work inspired Watson and Crick to seek DNA's structure.

Linus Pauling (1901-94)

The titan of twentieth-century chemistry. Pauling led the way in working out the structure of big biological molecules, and Watson and Crick saw him as their main competitor. In early 1953, working without the benefit of X-ray pictures, he published a paper suggesting that DNA was a triple helix.

Erwin Chargaff (1905-2002)

Chargaff discovered the pairing rules of DNA letters, noticing that A matches to T and C to G. He later criticized molecular biology, the discipline he helped invent, as "the practice of biochemistry without a licence", and once described Francis Crick as looking like "a faded racing tout".

James Watson (1928- )

Watson went to university in Chicago aged 15, and teamed up with Crick in Cambridge in late 1951. After solving the double helix, he went on to work on viruses and RNA, another genetic information carrier. He also helped launch the human genome project, and is president of Cold Spring Harbor Laboratory in New York.

Francis Crick (1916- )

Crick trained and worked as a physicist, but switched to biology after the Second World War. After co-discovering the structure of DNA, he went on to crack the genetic code that translates DNA into protein. He now studies consciousness at California's Salk Institute.

Maurice Wilkins (1916- )

Like Crick, New Zealand-born Wilkins trained as a physicist, and was involved with the Manhattan project to build the nuclear bomb. Wilkins worked on X-ray crystallography of DNA with Franklin at King's College London, although their relationship was strained. He helped to verify Watson and Crick's model, and shared the 1962 Nobel with them.

Rosalind Franklin (1920-58)

Franklin, trained as a chemist, was expert in deducing the structure of molecules by firing X-rays through them. Her images of DNA - disclosed without her knowledge - put Watson and Crick on the track towards the right structure. She went on to do pioneering work on the structures of viruses.

SAD por Blogger 

Tão triste esta gente. Dizem que as SAD cortam relações. Uma SAD não fala com a outra SAD... enfim. Crianças. Eu, que até nem ligo muito ao futebol, deixo aqui um poema do Bernie Taupin, alusivo à situação.


Sorry seems to be the hardest word


What I got to do to make you love me
What I got to do to make you care
What do I do when lightning strikes me
And I wake to find that you’re not there (Uh)

What I got to do to make you want me
What I got to do to be heard (Oh...oh...oh...oh...)
What do I say when it’s all over, babe
Sorry seems to be the hardest word {That’s right}

It’s sad, so sad
It’s a sad, sad situation
And it’s gettin’ more and more absurd
It’s sad (So sad), so sad
Why can’t we talk it over
Oh, it seems to me
That sorry seems to be the hardest word

What do I do to make you want me
What I got to do to be heard
What do I say when it’s all over
Sorry seems to be the hardest word

It’s sad (So sad), so sad (So sad)
It’s a sad, sad situation
And it’s gettin’ more and more absurd, mmm, mmm
It’s sad (So sad), so sad (So sad)
Why can’t we talk it over
Oh, it seems to me
Sorry seems to be the hardest word, oh, yeah

Oh...oh...
No, no, no, no, no, no, no
Sorry

What do I do to make you love me (Oh)
What I got to do to be heard (Mmm)
What do I do when lightning strikes me, yeah
What have I got to do, what have I got to do
When sorry seems to be the hardest word


quarta-feira, fevereiro 04, 2004

A Tripla Hélice (Continuação) por Blogger 

O que levaria Pauling a cometer tamanho erro?
Sabia-se na altura que os cristais do ácido deoxirribonucleico apresentavam, em estudos de difracção de Raios-X, uma provável estrutura helicoidal. Adicionalmente, de soberba importância, era sabido que, numa sequência de DNA, a quantidade de purinas era igual à de pirimidinas (A+G = C+T; A=adenina; G = guanina; C = citosina; T = timina; A e G são purinas e C e T pirimidinas). Esta última descoberta deve-se ao trabalho de Chargaff, que se mostrou incapaz de perceber que esta relação numérica se ficaria a dever ao facto de purinas e pirimidinas andarem aos pares. È de facto o emparelhamento AT e GC que está na génese de uma cadeia dupla...

A relação pode não ser directa,. mas em 1953, era já sabido que o colagénio (na altura só um tipo de colagénio havia sido identificado contra os quase 20 actualmente caracterizados), uma proteína, era constituída na sua fase final por três cadeias enroladas sobre si próprias. Pauling poderá ter sido influenciado por este“design” invulgar ao ponto de ter “esquecido” as mais elementares regras físico/químicas.

A 25 de Abril de 1953, Watson e Crick publicam na revista Nature (Vol 171,p. 737) o derradeiro artigo com a descrição da molécula mais desejada. O momento “eureka” chegou quando acabaram de montar o modelo da cadeia dupla, que Watson encomendou a um ferreiro nas redondezas. Hoje (desmintam-me se estou enganado) a simplicidade não inspira confiança.

Tudo é belo ao abrigo do arco-íris... por Blogger 



segunda-feira, fevereiro 02, 2004

Pauling e as 3 hélices... por Blogger 

Ontem dei de caras com o “Quimica General” de Linus Pauling (8ª edição, 1965, Aguilar - em Castelhano) pertença de meu pai. Folheei as primeiras páginas e algo me deteve no fim do Prólogo do Autor à 2ª edição. Tratava-se disto:

Linus Pauling
Pasadena, Califórnia.
28 de Fevereiro de 1953

Ah!, mas que ano…
Pauling era já, por este ano, um monstro da química. Seria laureado com o prémio Nobel da Química no ano seguinte e com o prémio Nobel da Paz, 9 anos mais tarde em 1963. Mas, por agora, voltemos a esse mês de Fevereiro de 1953.
Na primeira semana do mesmo, um artigo (duas cópias do mesmo) atravessava o Atlântico direito a Cambridge. Dois jovens de nome James Watson e Francis Crick sentiram que os esforços dos últimos meses de trabalha acabariam em nada perante aquele artigo.

“… Francis e eu debruçávamo-nos sobre a cópia que Peter trouxera depois do almoço. A sua cara traía algo importante quando entrou e o meu estômago contraiu-se só de pensar que tudo estava perdido. Vendo que tanto eu como Francis já não aguentávamos mais o suspense, contou-nos rapidamente que o modelo consistia numa cadeia de três hélices com o esqueleto de açúcar-fosfato no centro. (…) Não dando tempo a Francis para perguntar pelo manuscrito, arranquei-o do bolso de fora do casaco de Peter e comecei logo a lê-lo.”

Quando Francis também ficou espantado com a química pouco ortodoxa de Pauling, comecei a respirar mais calmamente. Nessa altura soube que ainda não fôramos excluídos do jogo. Nenhum de nós todavia, fazia a menor ideia de quais os passo que tinham conduzido Linus a um tal disparate. Se um estudante tivesse cometido um erro semelhante, seria considerado indigno de beneficiar dos ensinamentos de qualquer professor de Química da Faculdade do Cal Tech.

O artigo também havia sido para a prestigiada revista Proceedings os the National Academy e seria, portanto, publicado em meados de Março.

Nessa altura seria apenas uma questão de dias até que o erro fosse descoberto. Tínhamos portanto cerca de 6 semanas antes que Linus voltasse a perseguir incansavelmente o ADN.” (…) “Depois, como a excitação das últimas horas tronara impossível trabalhar nesse dia, Francis e eu fomos até ao Eagle. Logo que abriu, estávamos lá caídos para brindar ao fracasso de Pauling.

Watson, J. 2003. A Dupla Hélice. Ed Gradiva.

(para continuar...)

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